ruinas de ruidos

nunca tentei compreender nenhum dos silêncios
mas quando lanço meu jogo de palavras sou obrigada a ouvir:
"vai te entender" - sem nem saber o que há pra entender
não questionei seus silêncios
de novo
tentando ligar as palavras ao signos
as estruturas mais chatas e falhas
discurso de novo
não deixam elas serem só palavras, só ruídos,
só cortes secados com alcool,
entende?
não é pra entender.
é desprezo.
agora diz que não gosta de ser julgado
no mesmo momento que está julgando
é desprezo.

você morre?

ela me cortou o braço e o peito com uma faca, na frente de uma multidão.
eu gritei, falei as coisas mais horríveis, desejei a morte.
as pessoas vieram contra mim, ignorando meu sangue, choro, meu desespero, minha dor
as palavras não só machucaram a garota como todos em volta.
eu tentei me explicar, mas a posição tomada pelo juri era irreversível.
respirei desespero, injustiça, quis me matar, mas passou.
uma semana depois ela me cortou o outro braço e o outro peito.
eu gritei, falei as coisas mais horríveis, desejei a morte, e novamente não tive ninguém do meu lado
sentei no chão, aos prantos, me apertando contra mim pra ver se o sangue parava.
uma criança pequena se aproximou e perguntou
"você morre?"
"como?"
"você morre."
as pessoas ainda não perderam o medo da palavra,
o problema é que ele está no signo.

de chocolate

"eu não sei por que fazem cores tão parecidas,
trinta e sete tons de vermelho diferentes,
e eu tenho que decidir entre trinta e sete coisas
praticamente iguais
praticamente iguais"

femme

para apreciar ao som de Velvet & Nico.

she'll build you up to just put you down, what a clown...

fatale

here she comes...
you better watch your step
...
she's going to break your heart in two, it's true.
ela sempre faz isso.
com esse olhar de quem já está nua por maior que seja o casaco de pele que ela use.
senta, prende os cabelos no alto, deixa o olhar se perder, faz ele se encontrar ligeiramente e lança um sorriso simpático só pra provocar.
ela não te quer, mas faz de tudo pra você pensar o oposto.
não é calculado.
percebi um dia qualquer ao espiar ela chupando um pirulito sozinha.
'cause everybody knows...
(she's a femme fatale
)
the things she does to please...
(she's a femme fatale
)
she's just a little tease...
she's a femme fatale.

das nuvens e dos versos

ela é uma menina sensível, intuitiva, imprevisível
ele é um apaixonado; pela arte, pela história, pela técnica, por ela...
um dia ele quis entender a formação das nuvens e eles se encontraram
ela estava viajando.
ele constrói o que ela vai destruir.
apesar da tristeza e da raiva que guardam,
se amam pelo simples fato de se manterem em movimento.

sem frascos

hoje em dia todo mundo sabe sobre tudo
mas na hora de decidir algo é sempre: não sei
realmente, tem muitas opções nessas prateleiras.

eu sei que é assim


da piscina, da margarina, da carolina, da gasolina
você precisa saber de mim, me ver de perto
precisa aprender o que eu sei e o que eu não sei mais
it's time now to make up your mind, look here,
read what i wrote on my shirt: há quanto tempo...

estranho mundo sensorial

arrepio na boca do estômago.
calafrio da nuca pra fora.
coração que bate como se fosse esponjoso.
pés sem fluxo sangüíneo.
chego a pensar que meus sentimentos não se exprimem mais por palavras.
mas encontrei uma imagem que demonstra exatamente:

opaco

sem matéria alguma
ausência de raios e partículas
de que se constitui a sombra?
não luz.
não acredito.
é só ausência, mesmo.

sufocon

neste momento todas as palavras presentes nesse sítio não se leem em harmonia
elas perderam a força em algum lugar entre os neurônios e os nervos
mandaram dizer que a idéia de estrutura se bananalizou
o mundo agora lê pra dentro